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Carlos Augusto Toigo Psicanalista CNP 07/5494 

Quais são os sinais de uma crise de ansiedade?

  • Foto do escritor: Carlos Augusto Toigo
    Carlos Augusto Toigo
  • 3 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura
Quais são os sinais de uma crise de ansiedade?

Uma crise de ansiedade ativa o mesmo sistema que seu corpo usa para fugir de um perigo real — o chamado sistema de luta e fuga. Os sinais mais comuns são:


  • Coração acelerado (taquicardia), mesmo sem esforço físico

  • Respiração rápida e curta, sensação de falta de ar

  • Pensamentos acelerados, como se a mente não desligasse

  • Vontade de sair correndo ou se esconder

  • Visão "em túnel", focada no centro, como se tudo ao redor sumisse

  • Sensação de perigo iminente — algo ruim vai acontecer, mas você não sabe o quê

  • Tremores, suor, tontura, formigamento nas mãos ou no rosto

  • Medo de estar morrendo, perdendo o controle ou enlouquecendo


Se você se identificou com vários desses sinais, é muito provável que o que você está vivendo seja, sim, uma crise de ansiedade. Você não está inventando, não está exagerando, e não está ficando louco. Seu corpo está reagindo a algo real — só que a ameaça não está do lado de fora.


Mas por que o corpo reage assim se não tem perigo real?

Essa é a pergunta que muda tudo.

Quando um perigo externo aparece — um carro vindo na sua direção, um animal ameaçador — seu corpo dispara esses mesmos sintomas para te proteger. Isso é instinto de sobrevivência. Faz sentido.

O problema é que o nosso psiquismo também reconhece ameaças internas. Conteúdos emocionais que foram enterrados, reprimidos, empurrados para o fundo — coisas que você talvez nem saiba que carrega. Quando esses conteúdos se aproximam da superfície, o corpo reage como se fosse um perigo real. Porque, para a mente, é.Jacques Lacan, um dos grandes nomes da psicanálise, disse algo que ajuda a entender isso:

"A ansiedade é o único sentimento que não mente."

O que ele quis dizer é o seguinte: com qualquer outro sentimento, nós conseguimos nos defender. Sentiu raiva? Pode varrer para baixo do tapete, fingir que não existe, ou até projetar no outro — "ele que está com raiva de mim". Sentiu tristeza? Pode se distrair, se ocupar, negar. Esses são mecanismos de defesa, e todos nós usamos.

Mas com a ansiedade, não tem escapatória. Ela é o alarme que dispara quando a angústia se aproxima. E a angústia não aceita ser ignorada.


Ansiedade e angústia: qual a diferença?

Aqui está um ponto que pouca gente explica e que faz muita diferença para entender o que você sente.

A ansiedade não é o problema em si — ela é o alarme.

O problema é a angústia que está por trás. A ansiedade é a última linha de defesa do seu psiquismo antes de você ser lançado de frente para algo que te desorganiza por dentro.

E o que é essa angústia? É tudo aquilo que envolve o não saber, o que não tem nome, o que te pega de surpresa. É diferente do medo, que tem um objeto claro (medo de altura, medo de cachorro). A angústia é difusa. Ela vive nas sombras dos conteúdos inconscientes — coisas que existem em nós e que sabemos, mesmo que tentemos ignorar, que estão ali.Por isso a ansiedade é tão difícil de "resolver" com dicas rápidas. Não existe uma causa universal. O que angustia uma pessoa pode ser completamente diferente do que angustia outra. Para algumas, é a morte. Para outras, curiosamente, é a própria vida — o quanto ela parece vasta e assustadora.


Então não tem como parar a ansiedade?


Não do jeito que a maioria dos sites promete. A ansiedade é um mecanismo de defesa. Você precisa dela — é uma ferramenta do seu corpo para te proteger. Tentar eliminá-la é como arrancar o alarme de incêndio porque o barulho incomoda.

A questão real não é a ansiedade. É a angústia que a dispara.

E aqui vem a boa notícia:

quando identificamos e damos nome à angústia, ela perde o efeito surpresa.

Ela deixa de ser aquela coisa sem forma que nos pega desprevenidos e se torna algo familiar. Ganha um contorno, um corpo. E quando a ameaça desconhecida tem um nome, o sistema de alarme entende que não precisa mais disparar com tanta força.Esse é o trabalho da psicanálise. Não é sobre te dar técnicas para respirar quando a crise vem. É sobre te ajudar a descobrir o que está por trás — o que você carrega, sem saber, que dispara tudo isso. Quando você entende, a ansiedade não precisa mais gritar para ser ouvida.


Você não precisa continuar lidando com isso sozinho


Se você chegou até aqui, é porque algo neste texto fez sentido para você. Talvez a ansiedade já esteja atrapalhando seu dia a dia, seus relacionamentos, seu sono, seu trabalho. E talvez você já tenha tentado resolver de outras formas.

A primeira sessão de psicanálise é um espaço seguro para você falar — sem julgamento, sem pressa — sobre o que está sentindo. Muitas vezes, só de começar a colocar em palavras, algo já muda.






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